segunda-feira, 10 de junho de 2013

O reitor e outros maestros 2

Para a continuação do post anterior, vamos imaginar um cenário: você toca guitarra e é admirado por seu irmão mais novo. Você chega a ficar famoso, mas de repente, é engolido pelo caçula, apesar da admiração dele nunca ter diminuído.

Então. Essa é a vida de Jimmie Vaughan, o irmão mais velho de Stevie Ray Vaughan.

Um excelente compositor, guitarrista e cantor, vi o cara pela primeira vez em um tributo póstumo ao Stevie. Jimmie também está presente em várias trilhas do Tarantino e é sempre convidado a tocar em grandes festivais com os monstros lendários do blues.

Um belo som dos irmãos Vaughan: Tick Tock.


Seguindo o mesmo "problema" de John Paul Jones, Roger Glover já teve que dividir o palco com Ritchie Blackmore, Steve Morse, Jon Lord, Ian Paice e Ian Gillan. Caraca! Às vezes, não é fácil ser baixista.

O cara é um respeitadíssimo músico, produtor e compositor. Hoje, não vamos ouvir Deep Purple, mas sim um som de um álbum composto e produzido por Glover: Butterfly Ball and the Grasshopper's Feast..


Para encerrar, um nome absolutamente subestimado. Como músico tentando compor, posso dizer que é um grande desafio criar música pop, mastigável e audível, mas ao mesmo tempo, ter qualidade técnica, melódica e harmônica.

Ringo Starr, mesmo ali engolido por Paul, John e George, conseguia fazer isso. Fazia tão bem que às vezes até ignoramos o que está sendo tocado na bateria. O problema vem quando você tem a ideia de montar um cover dos Beatles ou simplesmente tirar um som dos caras.

Tempos bem malucos em The end:


Por hoje é só! Curtam os sons e até a próxima!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

O reitor e outros maestros

O post de hoje é dedicado a um grupo especial de músicos.

Escolhi umas bandas que têm figuras marcantes demais e que acabavam chamando toda a atenção para si. Caras que têm tanta presença de palco que até parecem divindades.

Mas não é dessas lendas que eu vou falar. Vamos fazer um esforço, tirar os olhos desses ícones e prestar atenção nos caras igualmente fantásticos que estão ali, acompanhando, fazendo a cozinha e contribuindo com sua genialidade para o som de toda a banda.

Vou começar com o reitor da Universidade John Moores de Liverpool. Doutor em astrofísica, Brian May é o mítico guitarrista do Queen. Um gênio. Provavelmente um alienígena porque me parece ser impossível alguém ser tão bom em tantas áreas.

Infelizmente, deve ser bem difícil ser notado na banda em que o vocalista é o Freddie Mercury.

Abaixo, um som da carreira solo do reitor. Já dá para perceber o quanto ele foi influente nos maravilhosos trabalhos vocais do Queen.


Imagine estar no palco, olhar a sua frente e ver o Robert Plant, à sua esquerda Jimmy Page e logo ao fundo o monstro John Bonhan.

É. À primeira vista, você pensa que não era muito fácil ser John Paul Jones. Mas vamos olhar mais a fundo. O cara é multi-instrumentista, arranjador e um dos cérebros do Led Zeppelin. Importantíssimo. Acho que o Enzo pode falar muito melhor do que eu sobre esse assunto.

Um som da carreira solo dele: Zooma. Boa viagem!


Para encerrar, um cara que tinha que dividir os holofotes com deus. Em um dos power trios mais fodas que existiram, Jack Bruce preenchia a cozinha do Cream com maestria usando seu baixo fretless.


Bom. Por hoje é só, mas esse post vale uma continuação. Tem muitos outros "injustiçados" que ainda estão na minha cabeça.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Não é o Ronnie Von.

Eles têm estilos parecidos.

Cantam para caralho. Dançam para caralho. Excelentes compositores.

Chegaram a cogitar um dueto na faixa de um álbum, mas o gênio forte de ambos atrapalhou tudo.

A música em questão seria Bad, que foi gravada apenas por Michael Jackson. O outro artista, que recusou a participação, era Prince.

Ao contrário da postura infantil e assexuada de Michael, Prince é um excêntrico que compõe músicas fantásticas carregadas de peso, groove e sensualidade.

Todos os artistas querem gravar ou compor com Prince. Ele, temperamental como sempre, se dá ao luxo de escolher.

Uma das últimas loucuras foi adotar um símbolo bizarro e impronunciável para se auto-denominar. O cara é bem imprevisível.

Vamos aos sons!

Musicology.


Kiss.


Uma de suas obras primas: Purple Rain.


Um show completo. Assista logo, antes que o Prince tire do ar. Ele andou fazendo isso com tudo que era publicado no YouTube.

domingo, 2 de junho de 2013

Hats off to Roy Harper

Led Zeppelin e Pink Floyd. Duas bandas lendárias que são referência pesada pra qualquer roqueiro. Além de terem atitudes, uma biografia conturbada e terem compostos hits inesquecíveis e álbuns memoráveis, são duas bandas que todo mundo sabe que toca pra caralho. Compostas por músicos fudidos, daqueles que manjavam o que faziam. E, ao contrário de boa parte do mundo, ambas as bandas reconheceram o talento deste cara: Roy Harper.


IBAGENS para comprovar.

E aí você, padawan de rockstar, vai me aporrinhar "beleza, champs. se o cara era tão foda por que é que eu nunca ouvi falar desse filho da puta?". Simples: segundo Page ele era um cara "talentoso com uma biografia conturbada" e os caras pagavam pau porque ele fazia o que curtia e foda-se o que os outros acham (e nem sempre isso traz fama e sucesso). MAS qualquer fã de Led que se preze o conhece pela música composta em sua homenagem: Hats off to (Roy) Harper. Sacou?


Capa psicodélica poluída pra desespero do designers.

E o Pink Floyd? Os caras só chamaram ele pra cantar uma musiquinha no álbum "Wish you were here". Só uma das mais fodastícas de toda a história da banda. Curte aí:


Ou seja. Esse post é pra fazer justiça ao carinha, porque ele merece. E agora que você sabe por que respeitá-lo, vou deixar um som dele pra curtir. Até a próxima!


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Clima verde

Dias atrás, ajudei um amigo a fazer uma lista de músicas que criariam um clima propício para o jantar romântico que ele preparava.

A lista foi finalizada e deu tudo certo. Porém, ontem, percebi que esquecemos de um nome importantíssimo: Al Green.

Albert Green começou sua carreira na década de 50, mas seu maior sucesso veio no começo dos anos 70.

Let's stay together. Uma música que tem tudo: harmonia, melodia e letra. Todas lindas.

Agora imagine o cenário a seguir:

1 - Você está no show de uma banda que toca soul. Sua (seu) prospect/crush/pretendende/alvo está junto e há chances de êxito.

2 - A banda começa a tocar "Let's stay together".

3 - Vocês começam a dançar juntos.

4 - ACHIEVEMENT UNLOCKED!

Outra chance como essa, você só encontra se a banda tocar "Let's get it on" do Marvin Gaye. Tenho uma amiga que pode comprovar a efetividade do clima que essa música pode criar.

Vamos aos sons. Let's stay together:


Um show completo:

segunda-feira, 27 de maio de 2013

More than more than words


Confesso que, quando comecei a selecionar os artistas que seriam postados aqui, tive uma pequena resistência para escrever sobre bandas que fizeram sucesso nos anos 90. Até que me dei conta que já faz 20 anos que elas estouraram. O interessante é que ainda não consigo chamá-las de "clássicas".

Vou refletir sobre o assunto.

Enquanto isso, resolvi falar um pouco do Extreme. Nesse caso, apesar do sucesso em 1990 com "More than words", o primeiro álbum da banda é de 1989 e eles se juntaram em 1986.

Eu tinha uns oito anos quando o maior hit foi lançado. Lembro que eu nem sabia o que era um amplificador de guitarra e quando assistia o clipe, achava que aquilo no início era um fogão. Sim, isso mesmo. E os knobs de volume seriam os botões do fogão.



O Extreme carregava vários resíduos dos anos 80. O guitarrista Nuno Bettencourt é um virtuose de técnica impecável. Não sei como está hoje, mas o cara tinha uma cabeleira que fazia inveja nas mulheres. Seria ele um legítimo herdeiro do hair-metal?

Minha mãe vivia falando que achava impressionante o cabelo do Gary Cherone. O cara também é um bom vocalista. Ele foi até chamado para cantar no Van Halen em 1998. O álbum Van Halen III não teve boas vendas, mas lançou um single bem legal: Without you.

Hora de conhecer outros sucessos do Extreme.

Hole Hearted. Bem legal! Detalhe para um dos comentários do vídeo. Algo como: "Shorts de patins e botas de exército. Total anos 90."


Totalmente posers em Get the funk out.


Um show completo, de 2009.


Para encerrar, o clipe de Gary Cherone com o Van Halen no hotel de gelo. Bem foda!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Três reis eternos

Alguns ensaios atrás, lá estava eu, todo feliz e pimpão, improvisando meus solos de guitarra Blues com pentatônicas, pentatônicas m6, arpejos. Curtindo o som.

Até que chegou o momento de tocar uma música do primeiro rei deste post. O lendário B.B. King. Exceto por uma frase ou outra que já tinha memorizado e/ou executado por instinto, é quase impossível manter um improviso com a beleza e perfeição de Riley Ben King.

Percebo que guitarristas fritadores punheteiros, embora eles não admitam, subestimam B.B. King. Dizem que respeitam porque leram em alguma Guitar Player ou Cover Guitarra que o cara é bom, mas, no fundo, não entendem o motivo. Eles estão em seus quartos, com os metrônomos no turbo, fazendo exercícios de semifusas e os últimos sweep pickings de Malmsteen. Tudo para compor músicas que são apenas variações dos mesmos exercícios. Ou então, irem na apresentação do G3, com a plateia composta apenas de outros alunos punheteiros de guitarra.

Se você se enquadra na situação acima e quer um desafio, tenho uma dica: estude B.B. King. É uma das coisas mais difíceis de se tocar.

Curtam um show do rei de 1983.


Daí, lembrei que B.B é o último rei do blues vivo. Vale a pena fazer um post de homenagem aos outros dois: Freddie e Albert.

Freddie King, "the Texas Cannonball" é autor de diversos clássicos do Blues. Assim como Otis Redding, várias de suas interpretações foram regravadas por artistas mais contemporâneos, como Eric Clapton, Johnny Winter e até mesmo uma versão no primeiro G3 de "Going Down", com Satriani, Vai e Eric Johnson.


E going down no G3.


Não só por seus 1,93 m de altura e 118 kg, Albert King é um gigante. Com sua Gibson Flying V, uma voz marcante e encorpada e sucessos como "Born under a bad sign", o cara foi influência de meio mundo, mas uma pessoa em especial merece destaque aqui: Stevie Ray Vaughan.

Confira mestre e discípulo (que também é um mestre) na jam abaixo:


Vi B.B. King em sua última passagem pelo Brasil, em 2012. Saber que ele já está com 87 anos gera um sentimento de admiração e, ao mesmo tempo, um aperto no peito. Nossos reis deveriam ser eternos.

Para encerrar, outra jam. Dê uma olhada neste time.